{"id":3831,"date":"2022-09-16T18:02:15","date_gmt":"2022-09-16T18:02:15","guid":{"rendered":"https:\/\/straditerra.com.br\/?p=3831"},"modified":"2022-09-16T18:03:21","modified_gmt":"2022-09-16T18:03:21","slug":"karen-santana-lanca-encara-me-batendo-de-frente-com-seus-conflitos-internos-e-expondo-a-versao-mais-sincera-de-si-mesma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/strads.com.br\/2022\/09\/16\/karen-santana-lanca-encara-me-batendo-de-frente-com-seus-conflitos-internos-e-expondo-a-versao-mais-sincera-de-si-mesma\/","title":{"rendered":"Karen Santana lan\u00e7a \u201cEncara-me\u201d batendo de frente com seus conflitos internos e expondo a vers\u00e3o mais sincera de si mesma"},"content":{"rendered":"\n
Por, Duda Poss\u00edvel <\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n \u201cEncara-me\u201d surge como uma retomada de Karen Santana de sua pr\u00f3pria narrativa e identidade. O som fala sobre autoconhecimento como chave para entendimento do pr\u00f3prio tempo universal, em busca do equil\u00edbrio entre o que se \u00e9 com o mundo em que se vive.<\/p>\n\n\n\n Marca a despedida de uma era, a era “Poderes de \u00c9vora”, a primeira parte da m\u00fasica ainda flerta com tem\u00e1ticas do \u00faltimo \u00e1lbum de Karen, como a magia natural e esse mergulho que ela vem dando em sua vida para entender suas quest\u00f5es mentais, como funciona sua mente e mediunidade, foi todo um per\u00edodo mais nebuloso para artista, onde ela p\u00f4de acessar suas pr\u00f3prias sombras. J\u00e1 a segunda parte do som \u00e9 mais alegre, pra cima, marca esse novo tempo que ela est\u00e1 vivendo, que \u00e9 um tempo de gozar dessas experi\u00eancias de uma forma boa, de apreciar a maturidade que o mergulho anterior lhe deu, de mergulhar em outros campos mais doces, suaves e coloridos.<\/p>\n\n\n\n Al\u00e9m de um beat surpreendente que quebra na metade tornando da m\u00fasica praticamente duas, o som possui uma letra extraordin\u00e1ria e tocante, quase hipnotizante. Resultado de mais uma parceria da artista com o produtor musical e DJ Palazi.<\/p>\n\n\n\n O conte\u00fado profundo da composi\u00e7\u00e3o \u00e9 traduzido visualmente no videoclipe produzido por por Sara Fernandes, Cau\u00e3 Ogushi, Pedro Loiola, Beca Maciel e pela pr\u00f3pria Karen. Na primeira parte do som vemos duas Karens em conflito num jogo de tens\u00f5es sinest\u00e9sico, produzido pela rela\u00e7\u00e3o do tempo marcado do beat com o corte das imagens desse conflito entre Karens, intercaladas por cenas de uma Karen una, sentada \u00e0 mesa concentrada escrevendo envolta por diversos elementos simb\u00f3licos que adicionam uma camada de solitude, invoca\u00e7\u00e3o e entrega a esse caldeir\u00e3o de tens\u00e3o. A partir da quebra do beat passamos por um portal, a tens\u00e3o se transforma numa leveza e gra\u00e7a venusiana, conhecemos outras Karens embaladas por um ritmo mais dan\u00e7ante e um tempo mais sereno.<\/p>\n\n\n\n Karen extrapola a condi\u00e7\u00e3o limitante da dualidade, nos propondo uma espiral de m\u00faltiplas vers\u00f5es de si mesma. Para entender mais acerca da jornada que resultou nesse processo criativo t\u00e3o lindo e complexo, convidamos a artista a responder algumas perguntas exclusivas:<\/p>\n\n\n\n Depois de \u2018poderes de \u00e9vora\u2019 voc\u00ea ficou quase dois anos sem produzir, o que significou esse per\u00edodo de recesso para voc\u00ea e como voc\u00ea v\u00ea essa nova fase\/temporada de lan\u00e7amentos?<\/strong> <\/em><\/p>\n\n\n\n Esse hiato de 2 anos foi um per\u00edodo extremamente dif\u00edcil pra mim. Pois eu estava adoecida psicologicamente e no come\u00e7o dessa pausa eu me cobrava pra produzir, pra lan\u00e7ar, pra estudar m\u00fasica mas sem condi\u00e7\u00f5es financeiras e psicol\u00f3gicas se tornou um mart\u00edrio essa cobran\u00e7a. At\u00e9 que obtive o diagn\u00f3stico de transtorno bipolar. E a\u00ed n\u00e3o me restou op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser de fato dar uma pausa e uma chance pra conhecer essa vers\u00e3o de mim ocultada. <\/em><\/p>\n\n\n\n Eu continuei escrevendo e produzindo, mas sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o de voltar pra cena. As pessoas foram se afastando, o p\u00fablico que eu estava cada vez mais se afastando. Mas eu entendi que era um processo importante n\u00e3o s\u00f3 para me manter viva, mas que isso refletiria no meu som quando eu pudesse voltar. <\/em><\/p>\n\n\n\n Culminou esse retiro com a pandemia. O que tornou tudo mais intenso. Muitas crises, resgate de mem\u00f3rias e um encontro ancestral com a minha fam\u00edlia. Onde muitos tamb\u00e9m s\u00e3o bipolares e n\u00e3o tiveram a mesma chance de um diagn\u00f3stico. <\/em><\/p>\n\n\n\n Hoje eu vejo esse hiato como necess\u00e1rio pra eu me enxergar como eu sou e n\u00e3o como eu quero me enxergar. <\/em><\/p>\n\n\n\n Tenho mais consci\u00eancia das feridas, dos gatilhos, do ancestral e consequentemente da minha real for\u00e7a e pot\u00eancia. <\/em><\/p>\n\n\n\n Dj Palazi participou da produ\u00e7\u00e3o do seu \u00faltimo single ‘Sol em Le\u00e3o’, do atual lan\u00e7amento ‘Encara-me’, e de outras faixas que voc\u00ea vai lan\u00e7ar ainda esse ano, voc\u00ea poderia falar um pouco mais dessa parceria?<\/strong><\/p>\n\n\n\n O Dj Palazi \u00e9 um grande amigo. Nos conhecemos h\u00e1 11 anos atr\u00e1s quando eu engatinhava no rap e ele j\u00e1 era uma crian\u00e7a grande no hip hop. <\/em><\/p>\n\n\n\n Sempre vimos a pot\u00eancia um do outro. Quando o conheci ele ainda n\u00e3o produzia. Tocava em tudo que \u00e9 baile. Sempre foi um DJ dedicado. E eu lembro de dizer pra ele que se um dia ele produzisse beat o bagulho ia ser louco. <\/em><\/p>\n\n\n\n E tudo foi seguindo seu curso. Eu fui me desenvolvendo no rap, ele na produ\u00e7\u00e3o, e no ano de 2021, depois de uma cota que ele j\u00e1 produzia, a gente decidiu fazer uma m\u00fasica. <\/em><\/p>\n\n\n\n Eu desempregada sem dinheiro pra existir, colei l\u00e1 no est\u00fadio dele em Po\u00e1, fizemos a braba que nem saiu ainda. E a parceria n\u00e3o parou tudo que ele me manda, sai m\u00fasica. Ele \u00e9 um cara que me ajuda a atualizar meu rap, a potencializar o que j\u00e1 tenho. Palazi \u00e9 um cara muito antenado e muito melindroso no trampo. Eu curto isso, sempre fui muito boombepera raiz e ele me traz novos horizontes sonoros – do drill, do trap e timbres met\u00e1licos. \u00c9 o bicho!<\/em><\/p>\n\n\n\n ‘Encara-me’ no sentido literal da express\u00e3o \u00e9 um convite para o olhar do outro recair sobre voc\u00ea, de qual maneira voc\u00ea gostaria de ser encarada?<\/strong><\/p>\n\n\n\n Essa letra eu escrevi no in\u00edcio desse meu processo de pesquisa da minha mente. O transtorno bipolar e toda culpa que recai na gente faz a gente ser uma pessoa mansa. O rap me fez acessar minha pot\u00eancia de express\u00e3o. A arte faz isso, mas eu sempre fui muito quietinha em bando, observadora, silenciada por mim mesma. <\/em><\/p>\n\n\n\n Naquela \u00e9poca eu j\u00e1 estava saindo do meu casulo e buscando menos julgamento alheio e mais observa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o s\u00f3 pra mim mas pra todes. A gente normalmente sempre tem uma vis\u00e3o distorcida de quem n\u00e3o fala o tempo inteiro sobre tudo, ou quem opina muito sobre tudo. <\/em><\/p>\n\n\n\n Hoje, depois de quase 3 anos da primeira parte de “Encara-me” eu n\u00e3o sinto mais necessidade de ser vista e ouvida. \u00d3bvio que com o meu trabalho musical eu almejo reconhecimento, mas isso \u00e9 consequ\u00eancia da caminhada. E n\u00e3o tenho pressa. <\/em><\/p>\n\n\n\n Hoje eu canto esse som na inten\u00e7\u00e3o de que as pessoas se olhem, se reconhe\u00e7am pra que n\u00e3o dependam desse olhar do outro.<\/em><\/p>\n\n\n\n Voc\u00ea ouvinte quando canta “Encara-me” \u00e9 um pedido seu para voc\u00ea mesmo. J\u00e1 n\u00e3o tem nada a ver comigo. Acho que hoje \u00e9 isso que ela quer dizer. S\u00e3o conselhos de algu\u00e9m que aprendeu 1% do game afetivo. <\/em><\/p>\n\n\n\n A faixa sugere uma ideia de “tempo”, sobretudo de aceita\u00e7\u00e3o e respeito do seu tempo pessoal, como o processo criativo da m\u00fasica contribuiu pro seu processo de autoconhecimento ou vice-versa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n O pr\u00f3prio tempo universal. Eu sempre sofri muito com ansiedade, sempre quis fazer tudo, conhecer tudo, realizar tudo. Desde crian\u00e7a. <\/em><\/p>\n\n\n\n Mas nesse caminho eu entendi que meu foco, meu sil\u00eancio e sobretudo a minha calma tinha mais efeito do que a pressa, a correria. <\/em><\/p>\n\n\n\n “Posso acelerar, gerando aten\u00e7\u00e3o e foco eu multiplico o tempo pra criar”<\/em><\/p>\n\n\n\n A gente muitas vezes se acha soberane \u00e0 tudo, a todos e ao pr\u00f3prio movimento natural das coisas. E por vezes for\u00e7amos situa\u00e7\u00f5es a nosso favor. <\/em><\/p>\n\n\n\n A m\u00fasica fala desse caminhar sereno, sabendo quem se \u00e9 e confiante de que todo plantar \u00e9 a\u00e7\u00e3o calma e generosa. Ningu\u00e9m sabe se vai germinar nossa semente. Isso aumenta nossa const\u00e2ncia existencial e promove mais equil\u00edbrio. Minha ansiedade agradece! <\/em><\/p>\n\n\n\n<\/figure>\n\n\n\n
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