{"id":3321,"date":"2022-02-28T17:49:30","date_gmt":"2022-02-28T17:49:30","guid":{"rendered":"https:\/\/straditerra.com.br\/?p=3321"},"modified":"2022-04-01T12:09:29","modified_gmt":"2022-04-01T12:09:29","slug":"dialogos-possiveis-desenclausurando-as-vozes-e-as-ondas-das-clinicas-lutaantimanicomial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/strads.com.br\/2022\/02\/28\/dialogos-possiveis-desenclausurando-as-vozes-e-as-ondas-das-clinicas-lutaantimanicomial\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logos Poss\u00edveis: Desenclausurando as Vozes e as Ondas das Cl\u00ednicas #lutaantimanicomial"},"content":{"rendered":"\n

Por Ex Denise Nuvem 88<\/strong><\/p>\n\n\n\n

H\u00e1 muito ainda a se pensar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e suas organiza\u00e7\u00f5es e exclus\u00f5es, suas cenas de compaix\u00e3o, e sua sincera crise no alinhamento de grupos.<\/p>\n\n\n\n

A fim de dar continuidade \u00e0s quest\u00f5es abordadas sobre o projeto da “R\u00e1dio Lel\u00e9<\/strong>\u201d a partir de uma mat\u00e9ria que saiu nesse mesmo portal que voc\u00ea se encontra agora, o disco de Rabay<\/strong> sobre sua experi\u00eancia sonora desenclausurando<\/strong> as vozes e as ondas das cl\u00ednicas com seus pedais de loop.  Voc\u00ea pode encontrar a mat\u00e9ria pelo t\u00edtulo R\u00e1dio Lel\u00e9: Rabay cria disco coletivo com pacientes de hospitais psiqui\u00e1tricos, <\/strong>por Gustavo da Silva<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n

Abordar as refs tanto contempor\u00e2neas quanto hist\u00f3ricas que produziram uma resist\u00eancia ao que foi instaurado pela institui\u00e7\u00e3o psiqui\u00e1trica<\/strong> ao intervirem com a arte como pot\u00eancia de cria\u00e7\u00e3o de si na produ\u00e7\u00e3o de imagens, e n\u00e3o apenas como produtos no banco de imagens mercadol\u00f3gico e galer\u00edstico.<\/strong> O que proponho pensar aqui \u00e9: como seguir os caminhos que esses expoentes protagonizaram na reforma macropol\u00edtica de uma psiquiatria ainda mais violenta do que a que temos hoje, e os res\u00edduos que ainda enfrentamos at\u00e9 ent\u00e3o, refletido na nossa micropol\u00edtica assombrada pela norma das institui\u00e7\u00f5es sobre o nosso comportamento. <\/strong>Quais as rela\u00e7\u00f5es aos bloqueios desses fluxos na altera\u00e7\u00e3o do \u201cc\u00f3digo de visualiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u201d das obras como uma tarefa do inconsciente, sem o estigma da loucura<\/strong> no teatro mercadol\u00f3gico<\/strong> das obras de arte em seus v\u00e1rios segmentos institucionais.\u00a0<\/p>\n\n\n\n

Nise de Silveira<\/strong> trouxe muitas elabora\u00e7\u00f5es acerca da arte na psique, e criou o Museu do Inconsciente<\/strong> localizado no Rio de Janeiro,  o que nos oferece uma grande an\u00e1lise sobre o poss\u00edvel furo institucional<\/strong> ao deslocar a produ\u00e7\u00e3o de imagens das paredes da \u201cloucura\u201c e criar o circuito de arte independente das institui\u00e7\u00f5es da norma. <\/p>\n\n\n\n

O hospital psiqui\u00e1trico que levava o nome da m\u00e9dica que revolucionou a psiquiatria foi fechado h\u00e1 mais de um ano. Nise foi de extrema import\u00e2ncia para quebra da ideia de que o paciente deve ser dissociado da sociedade e morar num manic\u00f4mio<\/strong>,  espa\u00e7os ativos apenas para recuperar o paciente para o retorno \u00e0 sociedade, mesmo que essa sociedade tamb\u00e9m precise de recuperar-se.  Os \u00faltimos pacientes deste hospital foram levados para o que chamam de \u201cresid\u00eancias terap\u00eauticas” onde em tese teriam um tratamento mais humanizado, foi um erro aparentemente um hospital psiqui\u00e1trico levar o nome dela, enquanto carregavam em suas pr\u00e1ticas, ideais contradit\u00f3rios aos que Nise implementou. <\/p>\n\n\n\n

O instrumento da an\u00e1lise institucional<\/strong> \u00e9 a mat\u00e9ria obrigat\u00f3ria do momento que vivemos se quisermos caminhar sem muros pra dar de cara o tempo todo. H\u00e1 an\u00e1lise de sobra, e nos interessamos em reunir as sobras at\u00e9 que esse jogo subverta em vida, e game over pra esquizofrenia do capital das imagens na psique.<\/p>\n\n\n\n

Um adendo, passo pelo pior momento da minha sa\u00fade mental e \u00e9 muito importante esse espa\u00e7o independente para expor o que venho estudando de an\u00e1lise institucional fora da institui\u00e7\u00e3o, muito obrigada a transcuradoria das d\u00favidas poss\u00edveis por essa forma de imaginar e p\u00f4r em pr\u00e1tica as energias vitais. <\/p>\n\n\n\n

O que \u00e9 muito potente, poder ser verborr\u00e1gica e sangrar em palavras<\/strong>, j\u00e1 que n\u00e3o temos o direito ao corpo digno transeunte e livre de viol\u00eancias e ou doen\u00e7as, s\u00f3 o virtual do inconsciente pode mover as c\u00e9lulas por aqui. E isso de verborragia me lembra Stela do Patroc\u00ednio<\/strong>, que intitulava suas performances po\u00e9ticas de \u201c falat\u00f3rio”<\/strong> e j\u00e1 dizia Lacan \u201ca doen\u00e7a \u00e9 a palavra n\u00e3o dita\u201d<\/strong> construir sa\u00fade mental na sociedade depende de pessoas que tenham ouvidos e muito tamb\u00e9m das que abrem espa\u00e7os e palcos sem p\u00fablicos espec\u00edficos, apenas dar a chance de crescermos como plantas querendo retornar a terra fertil ou a uma vida num vaso menos dom\u00e9stico poss\u00edvel e mais selvagem no melhor dos sentidos.<\/strong> <\/p>\n\n\n\n

A hist\u00f3ria de Stela ilustra muito bem como a patologiza\u00e7\u00e3o e o diagn\u00f3stico passa longe do cuidado e passa literalmente por uma curadoria policial.<\/strong> Stela foi \u2018psiquiatrizada\u2019<\/strong> (como ela mesmo dizia) apreendida pela policia direto para um manic\u00f4mio onde a traduziram como esquizofr\u00eanica. Mas como n\u00e3o ser esquizofr\u00eanica quando seu corpo est\u00e1 vulner\u00e1vel a uma abordagem policial que te leve ao diagn\u00f3stico? onde poderia estar Stella que outros corpos n\u00e3o estavam ? Qual foi o ru\u00eddo que exigiu a aten\u00e7\u00e3o policial? por que n\u00e3o temos direito ao ru\u00eddo?<\/strong> A natureza toda faz som, parece que estamos fadados apenas a contar hist\u00f3rias infind\u00e1veis e rir alto incansavelmente at\u00e9 perder a gra\u00e7a e vemos que n\u00e3o \u00e9 nada disso. A mat\u00e9ria  citada  no in\u00edcio do texto sobre a r\u00e1dio lel\u00e9 aborda um trabalho sonoro que muito me faz pensar na poesia, e nas vozes como esse ru\u00eddo n\u00e3o permitido . <\/p>\n\n\n\n

A mat\u00e9ria sobre a “r\u00e1dio lel\u00e9\u201d  citado no in\u00edcio do texto trata do som e da escuta na pr\u00e1tica do som e dos aparatos tecnol\u00f3gicos como armas de prote\u00e7\u00e3o contra os sufocamentos quando essa usada para arte, no caso dos pedais de loops sobrepondo as vozes e analisando o quanto \u00e9 potente o deslocamento da doen\u00e7a para o transe de uma produ\u00e7\u00e3o art\u00edstica<\/strong> tem sido p como arte um trabalho sonoro que muito me faz pensar na poesia, e nas vozes como esse ru\u00eddo n\u00e3o permitido . Por\u00e9m, por se encontrarem em situa\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o dos direitos de imagem dos autores \u00e9 intermediada e muitas vezes tutelada pela administra\u00e7\u00e3o dos hospitais, ficando subordinada a sua avalia\u00e7\u00e3o limitante. Na mat\u00e9ria diz: \u201cPor\u00e9m, por se encontrarem em situa\u00e7\u00e3o de interna\u00e7\u00e3o, a quest\u00e3o dos direitos de imagem dos autores \u00e9 intermediada e muitas vezes tutelada pela administra\u00e7\u00e3o dos hospitais, ficando subordinada a sua avalia\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n

A quest\u00e3o da perda da autoria t\u00e3o conceituada e pouqu\u00edssimo aplicada nos artistas de dentro do cercadinho do mercado, acontece aqui por uma quest\u00e3o que n\u00e3o tem nada a ver apenas com a perda da autoria, mas a perda de sua exist\u00eancia<\/strong>, existir ao ter a possibilidade de ser compartilhado. Por\u00e9m a m\u00e1quina transformou as vozes em simultaneidades e co – cria\u00e7\u00f5es, n\u00e3o existe um autor, e sim v\u00e1rios. Matar o autor como os jovens artistas do cercadinho mercadol\u00f3gico adoram discursar e pouco praticam sobre, n\u00e3o \u00e9 uma solu\u00e7\u00e3o existencial, quando a morte existe para muitos , e a vida eterna apenas para alguns.<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Esse texto est\u00e1 sendo um \u00f3timo exerc\u00edcio<\/strong> e me despe\u00e7o prometendo voltar e revoltar como os retalhos de Bispo do Ros\u00e1rio<\/strong>, espero e tenho certeza que nenhum assunto foi esgotado e nem teria como<\/strong>, que sigamos na teia da aranha<\/strong>. <\/p>\n\n\n\n

Segue a conex\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n

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voc\u00ea pode encontrar mais de Ex Denise Nuvem 88<\/strong> em @alokadoprint_<\/strong> e @zerolikesrecords<\/strong> <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n

https:\/\/www.instagram.com\/alokadoprint_\/<\/a><\/p>\n\n\n\n

https:\/\/www.instagram.com\/zerolikesrecords\/<\/a><\/p>\n\n\n\n

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Por Ex Denise Nuvem 88 H\u00e1 muito ainda a se pensar em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es e suas organiza\u00e7\u00f5es e exclus\u00f5es, suas cenas de compaix\u00e3o, e sua sincera crise no alinhamento de grupos. A fim de dar continuidade \u00e0s quest\u00f5es abordadas sobre o projeto da “R\u00e1dio Lel\u00e9\u201d a partir de uma mat\u00e9ria que saiu nesse mesmo…<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":3322,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_kad_post_transparent":"","_kad_post_title":"","_kad_post_layout":"","_kad_post_sidebar_id":"","_kad_post_content_style":"","_kad_post_vertical_padding":"","_kad_post_feature":"","_kad_post_feature_position":"","_kad_post_header":false,"_kad_post_footer":false,"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[51,56,53,55,54,52],"class_list":["post-3321","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-materias","tag-alokadoprint","tag-lutaantimanicomial","tag-radiolele","tag-saude","tag-straditerra","tag-zerolikes"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3321","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3321"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3321\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3331,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3321\/revisions\/3331"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3322"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3321"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3321"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/strads.com.br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3321"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}