{"id":1739,"date":"2021-10-13T00:03:56","date_gmt":"2021-10-13T00:03:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.alexbrunodesign.com\/?p=1739"},"modified":"2021-10-13T00:05:58","modified_gmt":"2021-10-13T00:05:58","slug":"o-que-jazz-aqui-no-coracao-do-mangueboy","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/strads.com.br\/2021\/10\/13\/o-que-jazz-aqui-no-coracao-do-mangueboy\/","title":{"rendered":"O que jazz aqui no cora\u00e7\u00e3o do mangueboy?"},"content":{"rendered":"\n
Por Bruna Helena<\/strong><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Quando a vida aperta, aqui se acende, na chama do isqueiro, a luz das ideias, no ritmo brasileiro, maracatu at\u00f4mico e rap, ser punk nessa caminhada \u00e9 lutar pela ess\u00eancia no ringue dos que se matam pela grana. Entre grooves fortes, e em um cen\u00e1rio intenso, encontramos Dabliueme, em seu novo \u00e1lbum, Aqui Jazz.<\/p>\n\n\n\n Do jazz ao samba, o artista canta e de fato cumpre, muito rap de primeira. Com samples cl\u00e1ssicos e muito bem garimpados, e versos que fazem jus, como um mangueboy ele busca sua mat\u00e9ria prima na lama, e ali mesmo, nesse cen\u00e1rio sujo e forte, desabafa o que tr\u00e1s em mente: a vida complexa na arte brasileira, a burocracia assassina da criatividade, e do som, que estrangula e mata aqueles que se rendem \u00e1 ela. Dabliueme aqui \u00e9 resist\u00eancia, resist\u00eancia no que \u00e9 ritmo e poesia, resist\u00eancia nas trincheiras do que o rap nasceu pra ser, sem se entregar para refer\u00eancias estrangeiras e com o melhor da velha escola, com o pique de um menino de 10 anos que joga bola descal\u00e7o num campinho de terra vermelha, sem medo algum de se sujar com seu jogo, joga limpo e \u00e1s claras, nem t\u00e3o claras assim, j\u00e1 que aqui sabemos que se escurecer tamb\u00e9m vamos caminhar.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Na arte do mangueio, Dabliueme tamb\u00e9m se mostra eficaz, nos oferecendo seus sons, sem os transformar em meros produtos, n\u00e3o existe pre\u00e7o que pague o mangueio, isso \u00e9 uma troca, as ideias e o cora\u00e7\u00e3o do mangueboy, em troca das cabe\u00e7as que batem automaticamente ao sentir o peso do seu maracatu. Esse corre todo, que se tr\u00e1s nos ombros, com uma das m\u00e3os marcando o bumbo, cansa, e nada descansa aqueles que se preocupam com o que acontece ao seu redor, a solu\u00e7\u00e3o \u00e9 o brinde, a m\u00fasica para celebrar as dores que constroem nosso sorriso, a febre que aquece o rastaman, \u00e9 a febre que queima a pele do povo no sol, a febre que percorre o corpo quando se ouve o grave, a febre do \u00f3dio que diariamente destilam os que v\u00eaem com os olhos de dentro o que muitos n\u00e3o veem a um palmo do nariz, aqui se ouve a m\u00fasica que age contra os que olham apenas para o pr\u00f3prio umbigo, o artista se prop\u00f5e a questionar as mazelas, ressaltar as riquezas e valorizar a bandeira que carrega, que \u00e9 passada de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o, mas que raramente acha algu\u00e9m que a possa empunhar, a palavra \u00e9 uma espada de poucos guerreiros, e sem d\u00favida aqui podemos encontrar um.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n No cora\u00e7\u00e3o do mangueboy encontramos as batidas certeiras, achadas entre vinis de m\u00fasica brasileira e raps dos anos 90s, papos concretos e diretos, sem curvas ideol\u00f3gicas, aqui as curvas se limitam ao baixo que tr\u00e1s o groove, e de resto se torna terminantemente f\u00e1cil se deixar envolver por tanta express\u00e3o e movimento, mesmo sem sair do lugar, \u00e9 f\u00e1cil estar na lama, entender o mangueboy, seu motivos, raz\u00f5es, e como j\u00e1 dito, o peso do seu maracatu. Essa imers\u00e3o est\u00e1 logo ali, na frente dos seus olhos, mas n\u00e3o pode ser somente vista, e ouvida, \u00e9 necess\u00e1rio saber sentir, mesmo quando n\u00e3o se sabe, nesse \u00e1lbum se torna simples e r\u00e1pido aprender, basta abrir os ouvidos e abrir a mente, o resto todo Dabliueme tr\u00e1s, em Aqui Jazz, um \u00e1lbum preciso e necess\u00e1rio nos tempos cinzas que que vivemos. Aqui jaz a luz que \u00e0s vezes pensamos j\u00e1 ter sido apagada pela ind\u00fastria, mas a m\u00fasica de verdade sem d\u00favidas se encontra na cal\u00e7ada, do lado de fora da caixa.<\/p>\n\n\n\n Ou\u00e7a \u2018\u2019Aqui Jazz\u2019\u2019, \u00e1lbum de Dabliueme.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n<\/figure><\/div>\n\n\n\n
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