{"id":1659,"date":"2021-10-12T23:23:50","date_gmt":"2021-10-12T23:23:50","guid":{"rendered":"https:\/\/www.alexbrunodesign.com\/?p=1659"},"modified":"2021-10-12T23:23:50","modified_gmt":"2021-10-12T23:23:50","slug":"dc-calmob-narra-a-sua-guerra-do-sonho-no-segundo-ep-lancado-em-2020","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/strads.com.br\/2021\/10\/12\/dc-calmob-narra-a-sua-guerra-do-sonho-no-segundo-ep-lancado-em-2020\/","title":{"rendered":"DC CalMob narra a sua Guerra do Sonho no segundo EP lan\u00e7ado em 2020"},"content":{"rendered":"\n
por Gustavo Silva<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n No dia 01 de dezembro o MC de Volta Redonda (RJ) e membro do coletivo de m\u00fasica e audiovisual CalMob<\/strong>, DC<\/strong>, lan\u00e7ou o seu quarto EP, Guerra do Sonho<\/strong>. O mais recente trampo do Drag\u00e3o Crioulo<\/strong> narra a cotidiana luta pela realiza\u00e7\u00e3o dos sonhos, com todos os desafios, supera\u00e7\u00f5es e mudan\u00e7as que fazem parte dessa luta.<\/p>\n\n\n\n O coletivo CalMob<\/strong> \u00e9 conhecido por trabalhos que envolvem composi\u00e7\u00f5es explorando o canto e o instrumental, apresentando est\u00e9tica identit\u00e1ria e dando o olhar sincero sobre o cen\u00e1rio urbano que envolve a exist\u00eancia do grupo, e com o lan\u00e7amento do DC n\u00e3o foi diferente. Guerra do Sonho<\/strong> veio na forma de um EP visual<\/strong>, com tr\u00eas faixas ilustradas com clipe e apresentadas em sequ\u00eancia em um \u00fanico v\u00eddeo.<\/p>\n\n\n\n \u201cQuando eu vi que o formato do EP teria tr\u00eas m\u00fasicas eu pensei que a ideia de ilustrar cada uma com um clipe seria muito boa. O pensamento do EP visual, com todos os clipes saindo juntos, foi algo elaborado mais pro final do processo, mas ter esses tr\u00eas clipes no EP sempre foram um pensamento<\/em>\u201d, explicou DC<\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n As faixas s\u00e3o assinadas pelos beatmakers da regi\u00e3o Sul Fluminense do Rio de Janeiro Ninju<\/strong> e l v k s<\/strong>. A mixagem e masteriza\u00e7\u00e3o ficou por conta do Studio Setor<\/strong> em nome do MC e produtor musical Ramiro Mart<\/strong> que j\u00e1 mixou trabalhos de artistas como niLL, Yung Buda, GoriBeatzz, Ju Dorotea<\/strong>, entre outros.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Em Guerra do Sonho<\/strong>, faixa que abre o EP, DC<\/strong> traz o manual de guerra do cotidiano atrav\u00e9s de um di\u00e1logo entre f\u00edsico e espiritual, sobre saber dar utilidade ao que se tem, a fim de conquistar o que se quer. A faixa busca destacar a import\u00e2ncia das constantes mudan\u00e7as que acompanham o processo de realiza\u00e7\u00e3o dos sonhos.<\/p>\n\n\n\n \u201cPra mim essas mudan\u00e7as s\u00e3o primordiais, porque certos sonhos a gente acaba n\u00e3o recebendo o devido retorno, digo em quest\u00f5es financeiras mesmo, e quando a gente t\u00e1 fazendo tudo isso estamos sempre visando colocar esse trabalho de uma forma que nos deixe mais confort\u00e1veis em diversos aspectos. Eu penso que a gente tem que ter muita for\u00e7a em tudo que escolhe, porque fica muito complicado voc\u00ea simplesmente ter uma a\u00e7\u00e3o baseado em algo que pode ser c\u00f4modo, mas que n\u00e3o \u00e9 algo realmente necess\u00e1rio ou o mais correto para determinada situa\u00e7\u00e3o<\/em>\u201d, explicou DC<\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n \u201cMostre-me o caminho que voc\u00ea recusou<\/em><\/strong> <\/em><\/strong>Que eu te garanto que t\u00e1 muito melhor.\u201d<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n DC<\/strong> comenta que n\u00e3o sabe quantos caminhos teve de recusar pra conquistar o seu sonho:<\/p>\n\n\n\n \u201c\u00c9 muito tempo de estrada, muito tempo fazendo som nessa caminhada, ent\u00e3o com exatid\u00e3o \u00e9 complicado, mas foram alguns. \u00c9 aquilo que a gente aprende desde sempre que cada escolha \u00e9 uma ren\u00fancia, a gente tem que ter isso, saber que toda vez que voc\u00ea tomar uma decis\u00e3o voc\u00ea t\u00e1 fechando uma porta para outra, e em algum outro momento voc\u00ea pode pensar que n\u00e3o tenha sido o movimento mais correto. Mas \u00e9 aquilo, se a gente for parar pra pensar nisso o tempo inteiro a gente acaba n\u00e3o vivendo, n\u00e3o se movimentando, porque \u00e9 isso o tempo todo, escolhas o tempo inteiro, tentando sair do lugar que est\u00e1, para um melhor, ent\u00e3o isso inclui voc\u00ea ter que optar por certas coisas que n\u00e3o v\u00e3o te possibilitar outras<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n No clipe, a primeira m\u00fasica traz v\u00e1rios takes do cotidiano, algo como um rol\u00ea na rua:<\/p>\n\n\n\n \u201cNessa ideia de fazer um filme mostrando imagens de rua, como n\u00e3o tem um direcionamento muito certo do que voc\u00ea vai querer ou n\u00e3o, \u00e9 bom trazer mais pessoas pra te ajudar a captar mais frames e dar mais op\u00e7\u00f5es. Ent\u00e3o nesse clipe tem alguns frames meus, outros feitos pela Beatriz Ar\u00eaas, e alguns foram do Lucas Linhares, que t\u00e1 produzindo bastante material da CalMob tamb\u00e9m<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n A produ\u00e7\u00e3o visual<\/strong> contou com a designer Beatriz Ar\u00eaas (EPIGRAFART<\/em>)<\/strong>, Diretora de Arte<\/strong> de todo o trampo. Ela produziu a capa e o material de divulga\u00e7\u00e3o, al\u00e9m de dirigir e captar takes dos clipes. N\u00e3o menos importante foi a participa\u00e7\u00e3o de Lucas Linhares<\/strong>, representando o coletivo Cinza City<\/em><\/strong>, respons\u00e1vel pelo material fotogr\u00e1fico de divulga\u00e7\u00e3o e colaborando com takes para os clipes.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n A faixa destinada \u00e0 santa padroeira do pa\u00eds, segundo a igreja cat\u00f3lica, Nossa Senhora Aparecida, fala do cen\u00e1rio predominantemente branco na religi\u00e3o, direcionando a ora\u00e7\u00e3o \u00e0 divindade retratada por uma mulher negra. DC<\/strong> busca mostrar a resist\u00eancia e autoridade do povo negro mesmo em uma religi\u00e3o marcada por um passado escravocrata e separatista. Toda prote\u00e7\u00e3o envolvida na santa, que movimentou a f\u00e9 de fam\u00edlias de periferia ao redor do pa\u00eds e garante o lugar ativo dos reais construtores de toda devo\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n \u201cMinha rela\u00e7\u00e3o com o espiritual n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o constante nos meus trabalhos, mas vem muito de mim. Eu tava vendo um discurso recentemente, n\u00e3o lembro bem de quem foi, mas que diz que no Brasil, na realidade que muita gente vive nos bairros de periferia, \u00e0s vezes a igreja faz muito a fun\u00e7\u00e3o do social. A igreja \u00e9 o lugar que oferece m\u00fasica, esporte, lazer pra juventude, e foi onde eu pude ter os meus primeiros contatos com a m\u00fasica. Foi o primeiro lugar que teve pessoas me ajudando a cantar, primeiro contato com instrumento musical, e que fez surgir esse interesse, e isso vem muito da minha fam\u00edlia, meu pai, minha m\u00e3e, galera que \u00e9 tudo devota<\/em>\u201d, afirmou DC.<\/strong><\/em><\/p>\n\n\n\n DC <\/strong>comenta que nunca tinha se aberto sobre sua espiritualidade em uma m\u00fasica, mas as complica\u00e7\u00f5es de 2020 trouxeram algumas mudan\u00e7as:<\/p>\n\n\n\n \u201cA gente ouve aquele papo de que s\u00f3 buscamos espiritualidade ou uma religi\u00e3o quando t\u00e1 passando algum veneno, algum problema, e n\u00e3o acho que enquanto ser humano estamos errados de pensar assim. N\u00e3o digo tamb\u00e9m que eu busquei na totalidade de como as pessoas pensam a religi\u00e3o, de ir na igreja todo domingo e ter aquele compromisso, nunca fui assim. \u00c9 mais uma quest\u00e3o de saber que tem algu\u00e9m olhando por mim, orando por mim. 2020 foi um tapa pra todo mundo, eu passei por umas quest\u00f5es bem complicadas na minha vida social, familiar e profissional que me deixaram em conflito com v\u00e1rias coisas<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n Segundo DC<\/strong>, a faixa estava praticamente pronta desde 2017, s\u00f3 o segundo verso foi escrito esse ano:<\/p>\n\n\n\n \u201cEu achei que eu necessitava soltar essa m\u00fasica pra essa santa nesse ano t\u00e3o dif\u00edcil, falando sobre o que eu penso sobre ela, aquilo ali foi como uma ora\u00e7\u00e3o de fato. \u00c9 como sempre foi na minha vida, se eu tiver que entrar numa igreja eu vou orar do meu jeito, observar do meu jeito. N\u00e3o pode ser da forma deles, que t\u00eam um passado, e at\u00e9 um presente, com uma galera ali dentro que n\u00e3o me representa, que n\u00e3o tem os mesmos interesses que eu, e que n\u00e3o conseguem ter paz enquanto pessoas como eu tiverem<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n O segundo clipe foi inteiramente dirigido pela Beatriz Ar\u00eaas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n \u201cA gente foi at\u00e9 Aparecida do Norte, eu, ela e mais dois amigos, conseguimos fazer algumas imagens, demos um rolezinho por l\u00e1 e sem d\u00favida \u00e9 o meu clipe que eu mais gostei at\u00e9 hoje. J\u00e1 tinha a ideia desse clipe desde o meio do ano, eu queria muito fazer essa track, pensei at\u00e9 em soltar como single mas achei que no EP ficaria mais legal<\/em>\u201d, destacou DC<\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Na \u00faltima faixa do EP, Primeira Hora do Dia<\/strong>, DC<\/strong> narra a busca pela motiva\u00e7\u00e3o para um novo dia e uma nova batalha. Depois de todo o conflito da primeira m\u00fasica e da ora\u00e7\u00e3o antes repouso na segunda, aqui se enxerga o momento onde se levanta do sono, pronto pra mais horas de conflito, aprendizado e reconstru\u00e7\u00e3o. Essa foi a primeira m\u00fasica do EP escrita por DC<\/strong>, fora os versos de Deus no Mercado que j\u00e1 estavam prontos.<\/p>\n\n\n\n \u201cO \u00faltimo clipe \u00e9 todo meu. Foi numa visita que eu fiz ao Ninju, em Visconde de Mau\u00e1 (RJ), e captamos v\u00e1rias imagens em volta da casa dele e na regi\u00e3o. Pra essa m\u00fasica eu j\u00e1 tinha uma brisa que seria um lance de montanha, de mata, visando um cen\u00e1rio diferente de Volta Redonda, que \u00e9 uma parada mais urbana, aqui tem chamin\u00e9 pra caramba, um monte de poeira, e pro lado de l\u00e1 \u00e9 um c\u00e9u mais limpo. Como o neg\u00f3cio \u00e9 a primeira hora do dia eu queria dar essa vis\u00e3o de algo mais vegetal, mais verde, um ar mais puro e toda essa coisa<\/em>\u201d, disse DC<\/strong><\/em>.<\/p>\n\n\n\n O MC comentou tamb\u00e9m sobre as dificuldades do processo de capta\u00e7\u00e3o audiovisual que o per\u00edodo da pandemia trouxe para os trabalhos.<\/p>\n\n\n\n \u201cTudo tem um lance de: \u2018Ser\u00e1 que tem como ir? Ser\u00e1 que \u00e9 sensato ir?\u2019, eu achei legal aparecer de m\u00e1scara na maioria dos takes, pra tamb\u00e9m marcar esse per\u00edodo. Ent\u00e3o eu sempre quis fazer essa fita de ilustrar tudo com v\u00eddeo, eu t\u00f4 bem feliz que consegui fazer nesse EP, e por saber que pode ser uma tend\u00eancia para os meus futuros trabalhos<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n<\/figure>\n\n\n\n
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