{"id":1629,"date":"2021-10-12T19:17:30","date_gmt":"2021-10-12T19:17:30","guid":{"rendered":"https:\/\/www.alexbrunodesign.com\/?p=1629"},"modified":"2021-10-12T19:17:30","modified_gmt":"2021-10-12T19:17:30","slug":"parceria-entre-comando-selva-e-straditerra-traz-harmonia-amorfa-de-mv-hemp","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/strads.com.br\/2021\/10\/12\/parceria-entre-comando-selva-e-straditerra-traz-harmonia-amorfa-de-mv-hemp\/","title":{"rendered":"Parceria entre Comando Selva e Straditerra traz harmonia amorfa de MV Hemp"},"content":{"rendered":"\n

Atualizado: 20 de Set de 2020<\/p>\n\n\n\n

por Gustavo Silva<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n

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MV Hemp<\/strong><\/em> \u00e9 arte-educador, poeta, pesquisador musical, ativista multim\u00eddia e produtor cultural<\/em>. Desde 2002 ele vem junto ao Comando Selva<\/strong><\/em> realizando pesquisas, projetos e interven\u00e7\u00f5es sonoras e visuais em favelas de todo o Brasil. Explorando elementos da cultura regional e de rua, como graffiti, poesia, picha\u00e7\u00e3o, beats<\/strong>, rodas de rima e rodas de conversa<\/strong>, ele busca trabalhar novos formatos para manter a mem\u00f3ria das periferias do Brasil cada vez mais viva.<\/p>\n\n\n\n

Filho de um pai baiano, e m\u00e3e carioca, MV Hemp<\/strong><\/em> sempre esteve rodeado pela m\u00fasica:<\/p>\n\n\n\n

\u201cA fam\u00edlia da minha m\u00e3e tem origem no sub\u00farbio carioca nos bairros de Rocha Miranda, Madureira, ent\u00e3o sempre teve presente na minha vida o samba de ra\u00edz, as baterias de escolas de samba que ensaiavam nas ruas, o jongo da serrinha, os corais das igrejas, al\u00e9m de um tio meu que colecionava vinil de rock, jazz, reggae, dancehall e por a\u00ed come\u00e7ou minha pira musical, de uma forma bem ecl\u00e9tica<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n

MV Hemp<\/strong><\/em> <\/strong>insiste que as vielas das periferias s\u00e3o as galerias de arte mais org\u00e2nicas, mais vivas, e pensando nisso criou tamb\u00e9m a rede Ambulante Cultural<\/strong><\/em>. Com esse projeto j\u00e1 passou por Porto Alegre, Pernambuco, Bahia, Juiz de Fora, Curitiba, Bras\u00edlia, S\u00e3o Paulo, Goi\u00e1s, Belo Horizonte<\/em>, e outras v\u00e1rias regi\u00f5es do pa\u00eds, realizando encontros de forma\u00e7\u00e3o da rede de ambulantes culturais, promovendo viv\u00eancias e a\u00e7\u00f5es culturais.<\/p>\n\n\n\n

Nessas viagens, visitou favelas em que o Estado n\u00e3o atende \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em servi\u00e7os b\u00e1sicos, como sa\u00fade, saneamento b\u00e1sico e seguran\u00e7a p\u00fablica. Esses lugares, geralmente vistos pela sociedade como \u00e1reas de risco, para MV Hemp<\/em> s\u00e3o \u00e1reas com conte\u00fados hist\u00f3ricos riqu\u00edssimos, transmitidos pela oralidade, lugares que devem ser preservados para as novas gera\u00e7\u00f5es, para que estas consigam compreender as v\u00e1rias faces do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n

\u201cJ\u00e1 cantei em corais de igreja na adolesc\u00eancia e sempre curti cantar, mas foi em 1997, com v\u00e1rios shows rolando no RJ, que comecei a mandar as primeiras rimas. Em 2003 comecei a gravar algumas tracks experimentais com a galera do Comando Selva, e por l\u00e1 gravamos umas fitas k7\u2019s bem experimentais, ouvindo uns dubs e raps e depois a parada foi fluindo com v\u00e1rios sons e conex\u00f5es com v\u00e1rios produtores pelo Brasil\u201d, <\/em>explicou MV Hemp<\/strong>.<\/em><\/p>\n\n\n\n

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Com o Ambulante Cultural<\/strong>, MV Hemp<\/strong><\/em> cria galerias a c\u00e9u aberto como espa\u00e7os de exposi\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o dessas mem\u00f3rias locais. Espa\u00e7os onde podem ser realizadas oficinas de forma\u00e7\u00e3o da rede de ambulantes culturais para jovens multiplicadores, trabalhando com ferramentas multim\u00eddia e usando elementos da cultura de rua como estrat\u00e9gia para manter viva a mem\u00f3ria dessas periferias com poucos recursos.<\/p>\n\n\n\n

O importante trabalho com o Ambulante Cultural<\/strong>, <\/em>e as viv\u00eancias com o Comando Selva<\/strong><\/em>, creditam a nomes como o de MV Hemp<\/strong><\/em> um papel essencial na afirma\u00e7\u00e3o, sobreviv\u00eancia e evolu\u00e7\u00e3o da cultura do Hip Hop<\/strong> nacional.<\/p>\n\n\n\n

Recentemente uma parceria entre o artista e a Straditerra<\/strong><\/em>, fez nascer um trabalho de extrema originalidade e harmonia, destacando todo o repert\u00f3rio art\u00edstico de MV Hemp<\/strong><\/em>, junto ao dom\u00ednio audiovisual de R\u00f4mulo Spuri<\/strong> aka @spurimaker, <\/em>com a beattape Strada da Selva<\/strong><\/em>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n

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\u201cO coletivo Comando Selva fez parte da minha forma\u00e7\u00e3o no Rap. Na \u00e9poca, que as informa\u00e7\u00f5es circulavam mais em blogs e tamb\u00e9m em comunidades do Orkut, eu sempre buscava estar por ali atento nas cenas underground, e quando cheguei na pesquisa da carioca, logo esbarrei Comando Selva, e identifiquei de cara, com a proposta, a postura, os integrantes e de l\u00e1 pra c\u00e1 sempre foi admira\u00e7\u00e3o total” <\/em>comenta Spuri.<\/strong><\/p>\n\n\n\n

Recentemente Spuri<\/em><\/strong> e Mv Hemp <\/em><\/strong>come\u00e7aram a se comunicar e a admira\u00e7\u00e3o mutua dos trabalhos feito pelos produtores foi a chave do projeto Strada da Selva<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n

\u201cMV Hemp foi se identificando com as nossas propostas, e rolou esse di\u00e1logo, essa aproxima\u00e7\u00e3o, com muita rever\u00eancia a esse nome que faz parte dos alicerces da nossa cena. Desse contato surgiu a ideia da beattape Strada da Selva<\/em>\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n

Spuri<\/strong><\/em> pensou na cria\u00e7\u00e3o deste trabalho de uma forma diferente, buscando que a parte sonora da beattape fosse constru\u00edda em cima do conte\u00fado visual.<\/p>\n\n\n\n

\u201cAs imagens s\u00e3o de uma capta\u00e7\u00e3o que eu fiz numa tarde em Alfenas (MG). Eu j\u00e1 tinha roteirizado esse material pra acompanhar uma futura beattape, mas que ainda n\u00e3o tinha um beatmaker escolhido. Na edi\u00e7\u00e3o do v\u00eddeo eu me influenciei de g\u00eaneros e estilos musicais fora do tradicional, e trouxe o ritmo desses sons para a levada do v\u00eddeo, j\u00e1 pensando que ele seria a base para o artista que fosse trabalhar a parte sonora<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n

Com a recente aproxima\u00e7\u00e3o do MV Hemp<\/strong><\/em>, Spuri<\/strong><\/em> viu a oportunidade de trabalhar o material visual que j\u00e1 tinha pronto, que precisava da vis\u00e3o e da cria\u00e7\u00e3o de um produtro musical.<\/p>\n\n\n\n

\u201cEle abra\u00e7ou essa ideia e o resultado desse trabalho \u00e9 a beattape Strada da Selva, um trabalho criado de uma forma n\u00e3o muito convencional, mas certamente original e com um resultado extremamente harm\u00f4nico<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n

Em suas constru\u00e7\u00f5es sonoras, MV Hemp<\/strong><\/em> tem o compromisso de buscar sempre algo novo, fora das formas padr\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n

\u201cEu curto ser o mais ecl\u00e9tico poss\u00edvel nesses recorte de samples, fugir o m\u00e1ximo poss\u00edvel do tradicional, pesquisar bastante m\u00fasica do mundo. Em geral eu curto bastante m\u00fasica experimental, samba, psicodelia pernambucana, musica africana, musica eletr\u00f4nica dos anos 60, ru\u00eddos produzidos na rua. Dentro das comunidades o rap \u00e9 uma plataforma bem livre pra esse exerc\u00edcio dessa experimenta\u00e7\u00e3o misturando v\u00e1rios estilos, n\u00e3o sei definir se tenho um estilo e se tenho acho importante ele ser o mais livre o poss\u00edvel, amorfo!<\/em>\u201d.<\/p>\n\n\n\n

Lan\u00e7ada no dia 02 de agosto, a beattape Strada da Selva<\/u><\/em><\/a> est\u00e1 dispon\u00edvel no YouTube.<\/p>\n\n\n\n

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