{"id":1597,"date":"2021-10-12T19:05:38","date_gmt":"2021-10-12T19:05:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.alexbrunodesign.com\/?p=1597"},"modified":"2021-10-12T19:05:38","modified_gmt":"2021-10-12T19:05:38","slug":"trinca-ferro-ep-de-lancamento-do-quarteto-exalta-compromisso-com-a-cultura-regional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/strads.com.br\/2021\/10\/12\/trinca-ferro-ep-de-lancamento-do-quarteto-exalta-compromisso-com-a-cultura-regional\/","title":{"rendered":"Trinca Ferro: EP de lan\u00e7amento do quarteto exalta compromisso com a cultura regional"},"content":{"rendered":"\n
Atualizado: 20 de Jul de 2020<\/p>\n\n\n\n
por Gustavo Silva<\/em><\/strong><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n O Trinca Ferro<\/strong>, quarteto composto pelos mc\u2019s Fattah<\/strong> e DGO<\/strong>, o beatboxer Diego MP3 <\/strong>e o multi-instrumentista Iago Dias<\/strong> lan\u00e7ou na \u00faltima semana o primeiro EP do projeto.<\/p>\n\n\n\n O EP, que leva como t\u00edtulo o pr\u00f3prio nome do trio, possui tr\u00eas faixas<\/strong> + o instrumental <\/strong>da primeira “A Terra \u00e9 Planta<\/strong>“, que foram captadas em apenas tr\u00eas dias<\/strong>. Em uma conversa com a Straditerra<\/strong>, o mc DGO<\/strong> nos contou que inicialmente o trio tinha a inten\u00e7\u00e3o de gravar, mas nenhum planejamento de quais e quantos sons sairiam. Eles encontraram ent\u00e3o no EP<\/strong> o formato mais vi\u00e1vel para propagar essas tracks, com o intuito de anunciar <\/strong>e divulgar<\/strong> a jun\u00e7\u00e3o dos quatro \u2018trinca ferro\u2019 nessa forma\u00e7\u00e3o.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Ao longo das tr\u00eas faixas, tanto nas letras<\/strong>, na composi\u00e7\u00e3o do beat<\/strong> e na escolha dos samples<\/strong>, identificamos uma forte exalta\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0 natureza<\/strong> [desde o pr\u00f3prio nome do trabalho que faz men\u00e7\u00e3o \u00e0 uma ave brasileira], al\u00e9m de toda uma discuss\u00e3o sobre a busca da liberdade<\/strong> pelo ser humano.<\/p>\n\n\n\n Neste primeiro projeto, o quarteto condensa uma s\u00e9rie de elementos e t\u00e9cnicas que expressam logo de cara a originalidade<\/strong> do trabalho desse grupo. Logo na primeira faixa, j\u00e1 chegam derrubando a teoria da Terra Plana, afirmando: \u201c<\/em>A Terra \u00e9 Planta<\/em><\/strong>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n \u201cMano, s\u00e3o temas necess\u00e1rios para o momento, acredito eu, e falando pelos integrantes desta obra tamb\u00e9m, estamos passando por um governo de extrema direita, e por um outro grande problema que \u00e9 a ascens\u00e3o dessas ideias autorit\u00e1rias, conspiracionistas, preconceituosas. Est\u00e3o cada vez mais fugindo de um prop\u00f3sito igualit\u00e1rio<\/em>\u201d, disse DGO.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Na segunda faixa do EP, \u201cI have a dream\u201d<\/strong> <\/em>(que faz refer\u00eancia ao hist\u00f3rico discurso sobre uni\u00e3o e coexist\u00eancia harmoniosa entre negros e brancos proferido pelo pastor, ativista e l\u00edder do movimento dos direitos civis nos EUA, Martin Luther King Jr.<\/strong>) Trinca Ferro quebra o padr\u00e3o, e traz o beatboxer<\/strong> do grupo Diego MP3<\/strong> assumindo a voz<\/strong> e lan\u00e7ando a letra que faz uma rever\u00eancia \u00e0 sua trajet\u00f3ria, \u00e0 arte e ao trabalho desempenhado pelo artista ao longo da sua carreira.<\/p>\n\n\n\n \u201cEssa track era a \u00fanica m\u00fasica pronta em rela\u00e7\u00e3o ao beatbox e letra. No per\u00edodo em que o MP3 estava na Finl\u00e2ndia a gente trocava muita ideia, e lancei essa escrita pra responsa dele. Quando ele veio para Parais\u00f3polis\/MG, com o som j\u00e1 lan\u00e7ado nos formatos dele no loopstation, a gente conseguiu produzir essa track. O Iago Dias gravou cada linha de beatbox separada, e deu pra tratar muito bem todos canais e tocar instrumentos sobre a estrutura sonora. Est\u00e1 um som muito bom de ouvir!<\/em>\u201d, ressaltou DGO.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Durante o per\u00edodo que passou na Finl\u00e2ndia,<\/strong> Diego MP3<\/strong> lan\u00e7ou o document\u00e1rio \u201cDe onde vem esse som<\/strong>\u201d, que aborda o beatbox brasileiro<\/strong> e busca divulgar mais essa arte e os praticantes deste elemento da cultura Hip Hop. \u201cI have a dream\u201d<\/em><\/strong> \u00e9 mais uma pe\u00e7a dessa constru\u00e7\u00e3o biogr\u00e1fica e da hist\u00f3ria e viv\u00eancias do estilo.<\/em><\/p>\n\n\n\n \u201cEu acredito que a cena dos beatmakers e beatboxers est\u00e1 em ascens\u00e3o. Olhando de uma forma mais popular em rela\u00e7\u00e3o aos que se iniciam nas aventuras de produzir, e vendo de uma forma de dentro da cena, \u00e9 de suma import\u00e2ncia a atua\u00e7\u00e3o e o reconhecimento desses artistas. Vejo muitos deles que al\u00e9m de produzir tamb\u00e9m rimam e vice e versa, \u00e9 um trampo que soa como caracter\u00edstica de cada produtor, tem muito nome foda no cen\u00e1rio. Ainda bem que o Sul de Minas tamb\u00e9m tem seu lugar, representados por v\u00e1rios \u2018trinca ferro\u2019!\u201d<\/em>, afirmou DGO.<\/strong><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n Na terceira faixa<\/strong>, o canto que anuncia o clamor por liberdade no t\u00edtulo \u201cSorta os passarinho pelo amor de Deus<\/em><\/strong>\u201d, identificado j\u00e1 na introdu\u00e7\u00e3o um sample<\/strong> de viola sertaneja<\/strong> acompanhada por versos da dupla mineira da d\u00e9cada de 50 Silveira e Barrinha<\/strong>, o que nos remete a um forte sentimento de regionalidade<\/strong>, que deixa claro o peso da cultura, das viv\u00eancias e do cotidiano mineiro no trabalho do Trinca Ferro<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n O compromisso com a ZR<\/strong> (zona rural) e a busca por propagar a cultura regional s\u00e3o marcas claras no trabalho desses artistas:<\/p>\n\n\n\n \u201cA sigla ZR veio mesmo com essa proposta de explicitar muitas das nossas viv\u00eancias que passamos no interior do terceiro mundo, e n\u00e3o precisar estar em grandes capitais para que possamos fazer bons trabalhos\u201d<\/em>, comenta DGO.<\/strong><\/p>\n\n\n\n Al\u00e9m da presen\u00e7a dos fortes tra\u00e7os regionais, o EP<\/strong> consegue tamb\u00e9m se conectar ao contexto<\/strong> atual em quest\u00f5es sociais, pol\u00edticas <\/strong>e culturais<\/strong>. Atrav\u00e9s da caneta os artistas prestam sauda\u00e7\u00f5es ao Mestre Moa do Katend\u00ea<\/strong>, questionamentos quanto ao caso Fabr\u00edcio Queiroz<\/strong>, e at\u00e9 uma brincadeira com a teoria da Terra Plana nos versos da terceira faixa \u201cA Terra \u00e9 Planta\u201d<\/em><\/strong>.<\/p>\n\n\n\n Com todas essas representa\u00e7\u00f5es sobre liberdade<\/strong>, regionalidade<\/strong> e natureza<\/strong>, o EP tamb\u00e9m se coloca de forma relevante ao debater temas importantes sobre realidades que temos vivido.<\/p>\n\n\n\n O produtor executivo R\u00f4mulo Spuri<\/strong> tamb\u00e9m trabalhou no projeto, com um planejamento de p\u00f3s e tamb\u00e9m na identidade visual.<\/p>\n\n\n\n Trinca Ferro, o EP de lan\u00e7amento do trio, est\u00e1 dispon\u00edvel no YouTube e em agosto estar\u00e1 em todas as plataformas musicais.<\/strong><\/p>\n\n\n\n <\/p>\n\n\n\n<\/figure>\n\n\n\n